Embora a campanha eleitoral tenha começado oficialmente apenas em agosto, os principais pré-candidatos a prefeito de São Paulo “anteciparam” a disputa deste ano com ações na Justiça Eleitoral. São 20 representações por suposta divulgação de pesquisa fraudulenta ou campanha antecipada, segundo levantamento do Estadão feito na semana passada. As ações tramitam na 1ª e 2ª Justiça Eleitoral. Até à data, registaram-se quatro casos de fraude em pesquisas eleitorais e 16 de campanhas antecipadas.
De acordo com a Lei Eleitoral, as punições são brandas. Se alguém divulgar pesquisa fraudulenta, estará sujeito à pena de prisão de seis meses a um ano e ao pagamento de multa. No sistema penal brasileiro, essas penas de detenção nunca são cumpridas no regime fechado, ou seja, o condenado não ficará preso. Antecipar campanha tem pena ainda mais leve, conforme avaliam especialistas, e o condenado pagará apenas multa entre R$ 5 mil e R$ 25 mil. “Para quem tem poder econômico, R$ 25 mil não é nada. Para quem tem poder econômico, vale a pena recorrer ao descumprimento”, disse um magistrado consultado pelo Estadão. “Já que você quer restringir, deixe que coloquem uma pena digna (na legislação)”, completa.
Neste ano, chama a atenção a “animosidade” entre os principais candidatos de São Paulo, como avalia o advogado eleitoral Alberto Rollo. Mas há uma explicação para a disputa jurídica no âmbito eleitoral. “Não há pagamento de custas ou perdas, que é um valor de honorários (para advogados). Ou seja, acaba estimulando uma proliferação de ações judiciais, porque quem perde não precisa arcar com custas ou honorários”, explica Rollo.
As despesas com cargos especializados em direito eleitoral são custeadas pelos partidos políticos, que utilizam recursos do fundo partidário para ações judiciais. Os contratos e faturas deverão constar das demonstrações financeiras enviadas à Justiça Eleitoral.
As legendas, entretanto, não devem ser exageradas. Isso porque podem acabar sofrendo penalidade por litigar de má-fé. “Há exagero, sim, mas o remédio é o litígio de má-fé, ao qual a Justiça pode aplicar multa”, disse Rollo. Esses casos ocorrem quando há abuso de ações nada adequadas para iniciar um processo.
A ‘roda’ eleitoral paulista
O principal alvo das ações até agora é o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Ele aparece em cinco ações movidas pelo MDB, partido de Ricardo Nunes, atual prefeito que buscará a reeleição. Posteriormente, Novo, que tem como pré-candidata Marina Helena, moveu quatro ações contra a pessoa. O PSB, da deputada federal Tabata Amaral, foi responsável por dois processos contra Boulos. O PSDB também moveu ação contra o deputado federal.
Uma das primeiras ações, em fevereiro, foi movida pela Novo contra Boulos. Na ocasião, durante o Carnaval, o partido afirmou ter identificado propaganda antecipada ao publicar, nos torcedores, as frases “Fica, vai ter bolo” e “SP + gostoso com bolo” em postagens nas redes sociais. No entanto, o caso foi arquivado por falta de provas. A Justiça Eleitoral afirmou que os links com as fotos foram danificados. Foram fornecidos prints de tela, mas sem data e hora, por exemplo, que foram considerados dados essenciais para o andamento da ação.
Boulos também foi alvo da pena mais dura até hoje. Em primeira instância, o desembargador Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, condenou a pessoa a pagar R$ 53,2 mil “pela divulgação irregular de resultados de pesquisas eleitorais realizadas em redes sociais”. Na ocasião, o parlamentar divulgou dados de pesquisa realizada pelo Real Time Big Data, encomendada pela Record TV, com o título “Boulos lidera com 34% contra qualquer bolsonarista”. A publicação foi feita no Instagram e no Facebook (NASDAQ 🙂 em negrito e misturou dados de diversos cenários, omitindo candidatos. Boulos não concordou com a decisão, que classificou como atípica, e recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), que analisa o caso.
O segundo com mais processos é o atual prefeito Ricardo Nunes. As quatro ações foram ajuizadas pelo PSOL. Em um dos casos, o partido de Boulos levou Nunes à Justiça depois que o perfil do emedebista agradeceu e disse estar satisfeito com o resultado de uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisa para a disputa à Prefeitura de São Paulo. O caso foi arquivado e o PSOL recorreu ao TRE-SP.
O único processo contra Tabata Amaral foi movido pelo MDB, quando o parlamentar utilizou deepfake contra Nunes. A legenda classificava a publicação como “juvenil e ilegal”. O vídeo foi retirado do ar pela equipe do deputado, que disse respeitar as normas eleitorais.
Em publicação nas redes, Tabata criticou o atual chefe do Poder Executivo. A gravação, porém, mostra o rosto de Nunes no corpo do personagem “Ken”, em cena do filme Barbie, de 2023. A manipulação digital é proibida, segundo resolução do Tribunal Superior Eleitoral. Tabata gravou o vídeo após informações divulgadas pela GloboNews afirmarem que a equipe de Nunes a chama de “Barbie da política”.
O caso foi levado a tribunal e arquivado. O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, não considerou que tenha havido “conteúdo fabricado ou manipulado para divulgar fatos notoriamente inverídicos ou descontextualizados com potencial de causar danos ao equilíbrio eleitoral ou à integridade do processo eleitoral”.
O juiz também mencionou que “a crítica política é amplamente admitida pela legislação eleitoral, extremamente relevante para o debate de ideias e escolha da melhor opção pelo eleitor na disputa em curso, exercício típico da liberdade de expressão na esfera eleitoral específica, ampliada aos cidadãos comuns em sua manifestação pessoal de pensamento.” O MDB recorreu da decisão e o caso tramita em segunda instância.
Kim Kataguri (União), deputado federal, também foi levado à Justiça pelo PSOL, que responsabilizou o parlamentar pelas faixas espalhadas por São Paulo contra a pré-candidatura de Boulos. Entre as frases, “Boulos não pode invadir São Paulo”. O tribunal decidiu que a utilização de bens públicos para colocar faixas é ilegal, no entanto, o pedido de campanha antecipada foi indeferido por falta de provas contra Kataguiri.
Presidentes aparecem em ações
O embate jurídico pré-eleitoral em uma das maiores cidades do mundo também colocou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Michel Temer (MDB) entre os alvos de ações judiciais. Temer foi acionado por elogiar o atual prefeito Nunes durante posse na Prefeitura de São Paulo.
Para o PSOL, o caso foi uma campanha antecipada. No entanto, o tribunal decidiu a favor de Temer, que apresentou defesa e alegou que o elogio não é um pedido explícito de voto. Outro ponto levantado pela defesa do ex-presidente foi o fato do PSOL estar sozinho no polo ativo, o que é irregular, dada a federação formada com a Rede. O caso também foi levado ao TRE-SP.
No caso de Lula, os partidos Novo, PSDB e MDB agiram em resposta ao pedido de votação no Dia do Trabalho, 1º de maio, no estacionamento da Arena Corinthians, na zona leste da capital paulista, feita por Lula para Boulos. Os pedidos, feitos em ações diferentes, mas com as mesmas demandas, foram juntados e serão julgados em conjunto.
“Ninguém vai derrotar esse cara aqui se votar no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições. E vou fazer um apelo: cada pessoa que votou no Lula, em 1989, em 1994, em 1998, em 2006 , em 2010 (naquele ano, a candidata era Dilma Rousseff) e em 2022, tem que votar no Boulos para prefeito de São Paulo”, disse o presidente na época. O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça a aplicação de multa próxima ao limite de R$ 25 mil ao atual chefe do Poder Executivo.
Candidatos concordam com ação legal
Ó Estadão procurou todos os pré-candidatos com partes envolvidas em processos judiciais. Marina Helena afirmou que as ações são importantes e devem resultar no afastamento de ministros e do presidente Lula. “Só tomamos medidas legais quando os adversários cometem infrações evidentes. Foi o caso de Lula e Boulos no dia 1º de maio, quando usaram dinheiro da Cultura, da Lei Rouanet, para fazer um comício político. a máquina pública resultaria no afastamento de ministros ou do presidente”, disse.
Tabata Amaral disse que continuará a tomar medidas contra os opositores em casos de desrespeito à lei. “A forma de denunciar possíveis irregularidades é através da Justiça. Quando Boulos vai contra a lei eleitoral ou Nunes comete atos ilícitos como prefeito, a Justiça é chamada a intervir para garantir o respeito às regras do jogo. processado nesta pré-campanha, tive a oportunidade de me defender e o Tribunal me deu razão. Tenho plena confiança no Poder Judiciário brasileiro”, afirmou o deputado.
Kim Kataguiri afirmou que “o mecanismo é válido, mas cabe ao Tribunal determinar o que é válido ou não. No caso da ação do PSOL, o Tribunal considerou-a improcedente”. Boulos e Nunes não responderam.
joias vip
site uol
uol pro
bola de futebol png
bolo de futebol png
oi google tudo bem